Fico pensando como seria se eu estivesse num reality show.
Todo mundo ia chegar na casa pilhado, berrando e se abraçando. Sei lá, acho que eu ia chegar num sono ferrado e ir direto pro banheiro. Depois passar batido pela cozinha, onde estaria rolando a confraternização.
Ficaria dando uma volta na área externa até que um bocaberta qualquer viesse puxar algum assunto. (Tempo suficiente pra produção me chamar a atenção e me dar um microfone novo, mais potente.) “Vai lá pegar na despensa”, me grita o diretor, puto da vida. E lá iria eu pegar uma geringonça tão pesada que precisaria ser posta dentro de uma mochila de dezesseis litros. Algo tão surreal aos olhos do público que eu acabaria ganhando um tempo a mais por ali.
Os marombados me indicariam para eliminação por “questão de afinidade” e eu teria que ficar aguentando os discursos mocorongos do apresentador toda terça-feira. Na terceira revirada de olho que eu desse, ou no segundo “beleza, fala logo” que eu soltasse, o diretor daria um jeito de chamar os comerciais e me dar uma lição de moral no confessionário. Acho que suportaria aquilo calado, sem fazer facepalm ou bater a testa num muro de chapisco, só até conseguir pelo menos dois carros e um apartamento.
Acho que eu seria o participante mais ranzinza de todos os tempos.