O meu milhão de direito
Sou desses que, quando moleque, deveria ter ido ganhar uns minutos de fama no programa do Gugu para falar todas as capitais do mundo do lado dos pais babões. Não, nada de Olimpíada de Matemática, nem de Física, nem nada de Feira de Ciências, porque eu sou um nerd assim bem limitado, de ler O Senhor dos Anéis na edição em português mesmo. Acho até que é forçar a amizade me chamar de nerd: sou mais um tupperware gigante lotado de nomes de coisas aleatórias. Tipo um baú de brinquedos de criança. Mas, na minha cabeça, você enfia a mão e tira um plasmodesmo, um vombate ou uma perestroika. Sei lá se dá pra brincar com essas coisas. Com o vombate eu sei que não.

E nem as capitais todas eu sei de cor; tudo fachada. Passaria vergonha se me perguntassem a do Quirguistão, da Moldávia, de Tuvalu. Exemplo de situação: estou no elevador com o povo da agência e alguém menciona Mongólia. Pergunto qual a capital de lá. Nada. Então faço igual o Fozzie dos Muppet Babies: “Desiste? É Ulan-bator. Waka waka waka.”
Mentira. Não faço essa performance; sou tímido. Principal obstáculo pra ir no programa novo do Justus e reivindicar o meu milhão de direito. Vai que eu tremo nas bases vendo os cem neguinhos com sangue nos olhos me encarando. Ou não: o pior ia ser falar com o meu futuro patrão.
O lance é que o programa não é difícil. De todos que eu vi, só tive dúvida na pergunta envolvendo árvore genealógica. Aí, ó, produção: se eu fosse vocês colocava umas três de “O tio do meu primo é o meu _______” porque isso eu não acerto nem com papel e caneta pra desenhar.
Meu feeling é que meu chefe Robertão vai me chamar pra participar só no ano que vem.
Vou voltar pra cá com meu peso em barras de ouro que valem mais do que dinheiro e 2010 vai ser meu ano sabático. Mas só empresto dinheiro pra quem me der 100 retweets e um convite do Orkut novo. Sabe como é.
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